terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Semelhantes
de nenhuma maneira,
melhor que qualquer outra espécie.
Compartilho com todas
a mesma volta
de surgir e sumir.
Sei que sei
desta certeza,
mas não sei
que a árvore não sabe.
E se não sabe,
sorte a sua
não saber do fim.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Terrorismo de Estado
Só podemos chamar de Terrorismo de Estado a ação militar promovida pelo exército israelense contra uma frota de seis navios que se aproximava da costa da Faixa de Gaza com ajuda humanitária. Nas embarcações turcas, haviam militantes de várias nacionalidades, muitos dos quais estão agora mesmo detidos em Israel por se negarem à deportação voluntária.
"Legítima Defesa"
A justificativa de Israel - absurda sob qualquer aspecto, legal, moral e lógico - é de que as FDI's (Forças de Defesa de Israel, um dos exércitos mais bem equipados do mundo, que possui armas nucleares cuja quantidade ninguém fora da elite política-militar israelense sabe ao certo) simplesmente se defenderam. Se defenderam de quê? De barcos lotados de comida e remédios? Os helicópteros e navios bem armados de Israel se defenderam contra meia dúzia de pedaços de pau? Se defenderam de uma tentativa legítima de furar um bloqueio desumano imposto por eles mesmos contra a população civil de Gaza?
Alguém poderia ser culpado por tentar pacificamente salvar vidas? Israel se baseia na defesa de um bloqueio ilegal e desumano, envolvendo crimes de guerra já reconhecidos internacionalmente como tal, para continuar o ciclo de violência contra uma população pobre economicamente, cansada emocionalmente, desprovida de sua nação há 65 anos, que a duras penas ainda ergue sua bandeira.
É preciso dar o nome certo às coisas. O Estado de Israel, não só hoje, mas desde sua criação, tem cometido sistematicamente, e com apoio internacional, Terrorismo de Estado. O pior dos terrorismos, porque apoiado juridicamente e, numa democracia representativa, se supõe que no apoio de pelo menos uma parcela da sociedade.
Ao menos agora as manifestações de repúdio se mostraram enfáticas, exceto pelos tradicionais aliados EUA, que para não queimar totalmente o filme assinou embaixo na nota da ONU condenando os ataques, mas foi também o responsável por abrandar o tom da condenação. A UE, os BRIC's, Jordânia e Egito - únicos árabes a manterem conversa com Israel - se mostraram mais enfáticos, com movimentações que devem se intensificar a partir de hoje.
Se os EUA não querem e não podem romper com Israel, a pressão do resto do mundo pode ser maior que isso. Um isolamento diplomático e comercial de Israel surtirá efeito imediato na política israelense. As negociações entre Brasil, Turquia e Irã na última semana comprova o que o presidente Lula vem pedindo a tempos na ONU: a 2º Guerra acabou há 65 anos, é hora de redefinir a Ordem Internacional, repensar o papel e efetividade da ONU, e daí tirar um novo modelo que represente a realidade das relações internacionais atuais.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
La difícil arte de oír
'Nada está dado. Todo es permitido', así lo ha dicho Eduardo Coutinho, documentalista brasileño en su participación en el 1º Festival de Cine Etnográfico y Documental Brasileño, que ocurre esta semana en Barcelona. Lo dice específicamente tras la presentación de su documental 'Metalúrgicos' (Peões, 2002), pero no refiriéndose solo a esta obra, sino a las posibilidades de construcción de las narrativas cinematográficas.
En la conversa que tuvo con la pequeña, pero interesada platea, no se ha fijado solo en esta película - la cual trata de buscar a la gente que construyó, junto con el actual presidente de Brasil, las grandiosas huelgas de los obreros de la industria metalúrgica de la región metropolitana de São Paulo en finales de los 70 y inicio de los 80, con el detalle de que ha buscado a los anónimos y no a Lula y a los que ahora tienen puestos de poder.
Más allá, el documentalista ha hablado de las cosas que le inspiran o que le dan base para sus películas. Dijo que a él le sirve mucho más la ficción que los documentales como aprendizaje para su obra propia, y como ejemplo de ello ha citado Buñuel como una importante referencia en sus trabajos.
Si uno cambia de materia o de emoción, no hay que por eso cambiar el encuadramiento, la luz o la posición de la cámara. Lo que le importa a él es dejar que uno construya su narrativa, que la desarrolle, a ver donde llega. Y en eso tiene rol muy importante el silencio, como elemento que puede permitir, sino conducir, unas conclusiones o cuestiones increíblemente sorprendentes.
Y ¿como lo hace él? Pues reconoce que tenemos todos prejuicios frente al diferente o al desconocido, de nada vale intentar negarlo. Lo que sí que vale es reconocerlo como condición inmutable y después ponerse abierto, permitiéndose una aproximación, lo que significa hablar, pero lo más difícil y revelador, escuchar.
Aún así, como oyente, Coutinho ha tenido siempre en sus trabajos momentos de habla, de intervención, las cuales - no obstante sean en general sucintas y sencillas, - traen a luz respuestas que revelan sentimientos profundos o mismo llegan a mostrar las contradicciones de los narradores. Al revés de este camino que estaba acostumbrado a hacer - entre hablas, silencios y escuchas - el cineasta ha contado lo difícil, en ciertas partes agonizante, que ha sido su posición en su más reciente trabajo, Moscu (Moscou, 2009), presentado ayer en el mismo festival.
Diferente de todo lo que hizo antes, en Moscu Coutinho solo trabaja con actores y con un texto aparentemente cerrado. El documental gira en torno al proceso de construcción de la pieza 'Las Tres Hermanas', de Chejov, pero el grupo tiene tan solo 18 días para hacerlo, lo que de principio constituye lo que el propio director ha llamado de 'un fracaso gigantesco'.
Pero justamente se trata de documentar este fracaso, y lo que ocurre mientras los actores preparan sus personajes, pues que hasta que se llegue al escenario - lo que no ocurre en la película - pasa que no solo se crean las personas, sino que a la vez se mezclan con ello recuerdos y emociones mismas de los actores, a tal punto de no se poder distinguir la realidad de la representación, tal como ocurre en Juego de Escenas, en lo cual actrices y mujeres anónimas interpretan el ajeno y a si propias.
Sin embargo, lo que distingue Juego de Moscu, y que es lo que tanta agonía le causó a Coutinho, es que en el ultimo el director no se sienta en frente a uno y le entrevista, mejor dicho, le escucha. En Moscu solo se ha tratado de quedarse como observador ajeno a la situación, tan ajeno que él no interfiere en prácticamente nada en el trabajo del director teatral invitado para conducir los ensayos.
Coutinho, ahora con sus pelos totalmente blancos, y con su aire falsamente antipático, lo justifica diciendo que después de Juego – donde por primera vez trabajó con actrices - no podría volver a hacer lo mismo de antes, es decir, escoger un punto común y buscar gente que tuviera historias sobre ello. Ahora, dice, hay que seguir en frente, siempre con nuevas propuestas, no entrando en detalles, pero dando a entender que ya prepara otro documental. Él concordó cuando una asistente dice que Moscu era un experimento. Al fin y al cabo, todo es permitido, ¿verdad?
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Porque me senti mal
Em seguida, todos se dividiram nos grupos, a professora ia passar em cada um. E ela ficou sozinha, lá na frente. A professora já tinha explicado rapidamente o trabalho, ficara de voltar, e explicar melhor, e tratar de inseri-la em algum dos grupos, que já estavam todos formados. E a disciplina era Problema Social. E todos se entreolhavam, ela tinha um jeito inquieto.
De repente se levantou, bruscamente, foi para a fila de trás, em um dos grupos, não falou nada, ou quase nada, que desse pra ouvir mais de trás. Só pegou um dos livros, olhou, e voltou pro seu lugar. Ali já havia se tornado o seu lugar. E de alguma maneira era como se as pessoas tivessem uma reação neutra, mas que é como um neutro que já é negação, na neutralidade.
E não sei se ela já tinha planejado, se ela foi na aula só para isso, se ela reagiu naturalmente ao ambiente que se mostrou inóspito não na rispidez, mas na falta de acolhimento. Ela se levantou, pegou o pincel, e escreveu na lousa branca, em letras tremidas como seus movimentos – e eu nem queria imaginar o que ela estava escrevendo, porque era como se eu já soubesse, mas não quisesse ver de frente, eu olhei pra baixo, só vendo por cima dos óculos, e vi quando ela se voltou. Com coragem, mas reticente de ver o que já sabia que veria, levantei a cabeça e li suas letras tremidas, que na tremedeira já pareciam conter um pouco do seu próprio conteúdo:
Bulling: Ni Olvido, Ni Perdón
E primeiro eu me assustei, mas depois eu me calei, pra dentro. E fiquei mal, como se fosse culpado de todos os anos de falta de amigos, e de perseguição, de riso e sarcasmo que ela possa ter sofrido. Parece que pesou todos esses anos nessa frase, nessa ação simples, que pra mim foi extrema, foi um grito, foi desespero. Mas ela escreveu e voltou pro seu lugar. Como se não tivesse mais esperança de poder fazer alguma outra coisa, do que apenas reagir assim, e continuar. Como se ela tivesse abandonado qualquer esperança, porque ela já cansou de acreditar que as pessoas pudessem reagir diferente. E eu me senti mal, me senti todas essas pessoas, de todos esses anos, porque talvez eu tenha reagido igual a todas elas, porque exatamente eu não reagi. E me omitindo, eu agi ao contrario. Eu me senti todos, porque eu fui como todos. Seguimos omitindo, fingindo, olhando pra baixo, às vezes pra cima. Falta olhar pra frente. Às vezes me falta força pra olhar pra frente, porque olhar pra frente exige força pra ver o que temos à frente, porque essa visão pode nos cegar, e porque não basta olhar, é preciso estar consciente, e disposto, e livre. Isso é difícil. Me faltou força.
E me senti mal quando primeiro me assustei, porque só pensei em mim, porque tive medo de viver em Columbine, e pensei que na próxima aula queria sentar o mais perto possível da porta, tramando já um plano de escape, caso na próxima vez a violência ultrapassasse o verbal, e o pincel fosse substituído por algo que machuca, fisicamente. Mas o pincel machucou, porque me fez pensar tudo isso, porque eu pensei tudo isso de imediato, num lapso de memória ancestral pela sobrevivência. E depois eu saí um pouco de mim, tentei olhar pra frente, e me senti mal. Não estamos preparados pra olhar pra frente. Não estamos preparados para sentirmos o mal nascente que cada um guarda em si, e que cabe a cada um esconder em si, porque ficaríamos cegos se soubéssemos do que somos capaz quando somos ameaçados. E a aula era de Problema Social.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Sobre escrever
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Americano, Demasiado Americano
Não que Obama seja idêntico a Bush, não chega a tanto, mas a diferença entre republicanos e democratas está nos meios e não nos fins. Em linhas gerais, principalmente em relação à política externa, Obama mantém os parceiros e os inimigos da Era Bush. Não sou eu quem está inventando, está no
Obama promete retirar as tropas do Iraque em 18 meses, mas os EUA ainda vão continuar presentes para garantir a manutenção da ordem e da democracia, já que iraquianos são incapazes de governarem a si mesmos sem ingerência externa por muito tempo.
Essas palavras poderiam muito bem ter saído de uma boca texana: "
Mas foram ditas sem o sotaque do sul por Barack Houssein Obama no discurso da posse. Foi um acontecimento histórico um país que tinha até poucas décadas um estatuto legal de racismo ter eleito um presidente negro, mas não nos esqueçamos que Obama é, antes de tudo, americano, demasiado americano.
domingo, 9 de novembro de 2008
Obama Wins!
A vitória de Obama representa um avanço com relação ao próprio sistema social americano, não com relação a política externa do país. Representa um passo adiante não porque os EUA sejam o pai mundial da democracia e tenham legitimidade e direito para invadir outros países sobre o pretexto de levar democracia.
É um avanço porque o mesmo país que nessa semana elegeu um negro como próximo presidente, tinha até menos de cinco décadas atrás um estatuto legal de racismo. E pensar que o racismo institucionalizado só fez fortalecer nos EUA nos anos seguintes à derrubada do racista-mor do mundo, Adolf Hitler, derrubado, vejam só, em grande parte pelos EUA.
O grande significado desta vitória está aí, na superação interna de traumas sociais, nada mais que isso. Não dá pra valorar o governo Obama a priori. Ele promete mudanças, se vai consegui-las é outra história. Mas o simples fato de que a maioria da população americana não é negra, já prova que algo mudou no pensamento das pessoas. Claro que ainda existem aqueles que pensam que melhor seria que a escravidão nunca tivesse acabado, mas já não são tantos para colocar McCain no poder, e uma possível Sarah Palin! Melhor nem pensar nessa hipótese.
Resta torcer para que Obama corresponda às expectativas daqueles que nele confiaram, talvez mais por rejeição a uma sequencia republicana do que por fé no democrata. Mas isso não importa. Obama wins! Uma família negra vai pela primeira vez ocupar a Casa Branca na área social e não na área de serviço. Quisera Martin Luther King estar vivo para dizer: "I got my dream!"